Reportagem

Educação financeira entre estudantes da ETEPAM: afinal, sabemos lidar com o nosso dinheiro?

Cecilia Luna
9 de outubro de 2026

Dinheiro na mão: e agora?

Receber dinheiro pode parecer simples. O desafio começa, quando precisamos decidir o que fazer com ele.

Para muitos adolescentes, o primeiro contato com a própria vida financeira acontece por meio de mesadas, presentes em dinheiro, bolsas, estágios ou outras formas de renda. A partir daí, surgem escolhas que parecem pequenas, mas que podem contribuir para a construção de hábitos financeiros: gastar tudo, guardar uma parte, estabelecer um objetivo ou, simplesmente, comprar aquilo que dá vontade no momento.

Educação financeira não significa deixar de gastar ou transformar cada compra em uma preocupação. Significa aprender a tomar decisões conscientes sobre o próprio dinheiro, entendendo prioridades, consequências e objetivos.

Mas, como isso acontece entre os estudantes da ETEPAM?

Para descobrir, foi realizada uma pesquisa com estudantes da escola, para buscar compreender seus hábitos, conhecimentos e suas opiniões sobre questões relacionadas à vida financeira.

Quando o dinheiro do estudante também ajuda em casa

Nem todo dinheiro recebido por um estudante é destinado exclusivamente a gastos pessoais. Durante a análise das respostas, também foi possível observar que alguns contribuem com as despesas de casa. Para parte dos adolescentes, lidar com dinheiro também significa assumir responsabilidades dentro da família.

Essa contribuição pode acontecer de diferentes formas: a ajuda do pagamento de uma conta, a compra de alimentos, a contribuição de alguma despesa específica ou até mesmo destinando parte do que recebem para a formação do orçamento familiar.

Ademais, esse aspecto é importante, porque amplia a discussão sobre educação financeira. Saber administrar dinheiro não significa apenas aprender a economizar para comprar algo no futuro. Também envolve entender prioridades, necessidades, responsabilidades e limites financeiros.

Na pesquisa realizada com os estudantes da ETEPAM, 24,1% afirmaram ajudar com as despesas de casa. 

Para alguns estudantes, aprender sobre dinheiro não é apenas uma questão de escolha pessoal. É também aprender a equilibrar seus próprios objetivos com as necessidades da família.

Comprar porque quer ou porque precisa?

Uma das principais questões quando falamos de educação financeira é o consumo. Comprar algo que queremos não é necessariamente um problema. O problema pode surgir quando a decisão é tomada sem planejamento, principalmente, quando a compra acontece por impulso e depois vem o arrependimento.

Imagine encontrar uma promoção de um produto que você queria. O preço parece bom, você compra e, algumas horas depois, percebe que aquele dinheiro poderia ter sido usado para outra coisa. Esse tipo de situação mostra o porquê da educação financeira também envolve comportamento e tomada de decisão.

Na pesquisa realizada, 18,5% afirmaram que já fizeram uma compra por impulso e 38,9%, às vezes, arrependeram – se posteriormente.

O dado pode indicar que o consumo por impulso faz parte da realidade de muitos jovens e reforça a importância de desenvolver hábitos os quais ajudem a avaliar uma compra antes de realizá-la.

Guardar dinheiro é suficiente?

Guardar dinheiro é um passo importante, mas saber por que, quanto e para qual objetivo guardar também faz diferença.

Uma pessoa pode economizar para comprar algo que deseja, fazer uma viagem, pagar um curso ou, simplesmente, ter dinheiro disponível para uma situação inesperada. Ter objetivos claros pode tornar mais fácil manter o hábito de economizar.

Entre os estudantes participantes da pesquisa, 27,8% afirmaram que sempre estão guardando, 31,5% guardam as vezes e 16,7% estão frequentemente guardando 

Dica! 

Antes de guardar dinheiro, pode ser útil estabelecer um objetivo: “Quero juntar R$ 300,00 até dezembro” é mais concreto do que simplesmente pensar “preciso economizar”.

Reserva de emergência: você sabe o que é?

Guardar dinheiro para uma viagem e manter uma reserva para situações inesperadas não são exatamente a mesma coisa. A reserva de emergência é um dinheiro separado para situações imprevistas, como uma despesa inesperada ou uma situação que exija recursos rapidamente.

Apesar de ser um conceito bastante presente, quando se fala sobre organização financeira, será que os adolescentes conhecem esse termo?

Na pesquisa, 72,9% dos estudantes disseram saber o que é uma reserva de emergência, enquanto 1,9% afirmaram não conhecer o conceito e 22,2% já terem ouvido falar. 

O resultado ajuda a mostrar quais conhecimentos financeiros já fazem parte do cotidiano dos estudantes e quais ainda podem ser mais explorados.

Investir é coisa de adulto?

Quando ouvimos a palavra “investimento”, é comum pensar em bolsa de valores, grandes quantias de dinheiro ou assuntos complicados.

Na realidade, investir está relacionado à aplicação de dinheiro com o objetivo de obter algum retorno no futuro. Existem diferentes tipos de investimentos, cada um com características, riscos e objetivos diferentes.

Isso não significa que todo adolescente precise começar a investir imediatamente. Antes disso, é importante compreender conceitos básicos, organizar as próprias finanças e aprender a avaliar riscos.

Entre os participantes da pesquisa, 53,7% afirmaram saber o que significa investir.Educação financeira não significa simplesmente aprender “onde colocar o dinheiro”. Também significa aprender a avaliar riscos, entender objetivos e tomar decisões responsáveis.

Juros: aquele detalhe que pode mudar tudo

Você já olhou para o preço de uma compra parcelada e pensou apenas no valor de cada parcela?

Os juros podem fazer com que o valor final pago seja diferente do preço inicialmente apresentado. Por isso, compreender esse conceito é importante principalmente em situações envolvendo parcelamentos, empréstimos e financiamentos.

Conhecer esses conceitos pode ajudar o consumidor a olhar não apenas para o valor da parcela, mas também para quanto será pago ao final.

E a escola? Deveria ensinar educação financeira?

A escola é um dos principais espaços de formação dos adolescentes. Além das disciplinas tradicionais, também existe uma série de conhecimentos que podem ser úteis para a vida adulta.

Saber organizar um orçamento, compreender juros, identificar uma compra por impulso e conhecer conceitos básicos de investimento são exemplos de conhecimentos que podem ser utilizados fora da sala de aula.

Mas, os próprios estudantes da ETEPAM concordam que esse assunto deveria fazer parte da educação escolar?

Segundo a pesquisa, 68,5% dos participantes afirmaram que a educação financeira deveria ser ensinada nas escolas.

Essas respostas podem ajudar a entender não apenas o que os estudantes sabem, mas também aquilo que sentem que ainda precisam aprender.

O que os estudantes da ETEPAM realmente sabem sobre dinheiro?

A pesquisa sobre educação financeira entre os estudantes da ETEPAM mostrou que o contato dos jovens com o dinheiro acontece principalmente por meio de recursos recebidos regularmente, com destaque para o Pé-de-Meia.

Entre as fontes de renda informadas, 61,1% dos estudantes apontaram o Pé-de-Meia, 25,9% recebem mesada,13% possuem salário ou estágio e 11,1% afirmaram não receber nenhuma dessas formas de renda. Como era possível marcar mais de uma opção, os números podem ultrapassar o total de participantes.

Em relação ao conhecimento sobre investimentos, os resultados indicaram que existem interesse e algum nível de familiaridade com o assunto.53,7% dos estudantes afirmaram que conhecem investimentos, enquanto 40,7%  disseram que têm uma ideia sobre o tema e 5,6% não têm muito conhecimento do tema. Nenhum dos participantes marcou a opção de que não conhecia investimentos.

Os dados mostram que, embora os estudantes já tenham algum contato com conceitos financeiros, isso não significa necessariamente que todos possuam conhecimento suficiente para planejar, economizar e tomar decisões financeiras com segurança. Além disso, presença do Pé-de-Meia como principal fonte de renda também evidencia a importância de discutir com os jovens como administrar recursos desde cedo.

A pesquisa reforça, portanto, a relevância da educação financeira no ambiente escolar, não apenas como aprendizado sobre investimentos, mas também como ferramenta para desenvolver hábitos de planejamento, consumo consciente, organização e preparação para a vida adulta. Os números não representam necessariamente todos os estudantes da ETEPAM, já que a pesquisa foi respondida por uma parcela desse grupo. Ainda assim, eles oferecem um retrato interessante sobre os conhecimentos e hábitos financeiros dos estudantes que participaram.

O que os resultados revelam?

Mais do que descobrir quantos estudantes sabem o significado de determinado conceito, a pesquisa permite observar a relação entre conhecimento e comportamento.

Um estudante pode saber o que são juros, por exemplo, mas ainda assim realizar compras por impulso. Da mesma forma, alguém pode não conhecer o termo “reserva de emergência”, mas já ter o hábito de guardar dinheiro.

Isso mostra que educação financeira não se resume a decorar conceitos.

Ela também envolve comportamento, planejamento, consciência e capacidade de tomar decisões.

 

Educação financeira também é educação para a vida

Aprender a lidar com dinheiro não significa pensar apenas no presente. Significa também desenvolver ferramentas para tomar decisões no futuro.

Para os adolescentes, esse aprendizado pode começar com atitudes simples: entender os próprios gastos, evitar compras impulsivas, estabelecer objetivos, aprender sobre juros e buscar informações confiáveis antes de tomar decisões financeiras.

Outrossim, a pesquisa realizada com estudantes da ETEPAM mostra que existem interesse e necessidade de discutir esse assunto.

Afinal, sair da escola preparado para a vida também significa saber lidar com algumas das decisões que fazem parte dela.

Educação financeira não é sobre ter muito dinheiro. É sobre saber tomar boas decisões com o dinheiro que se tem. 

 

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