Palestra relatando a Anistia do Regime Militar de 1964 no Brasil

31 ago 2017
Comunicação CI
989
0

Nesta quinta-feira, 31 de agosto de 2017, a Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães recebeu a ilustre visita de representantes do Comitê Memória Verdade. Os palestrantes com o apoio da professora de História da Instituição, Cintia Sales, ministraram uma palestra ressaltando alguns fatos acontecidos durante o regime militar no Brasil que se perpetuou de 1964 até o ano de 1985. Das 14 horas até as 17 horas, com personalidades como Edivaldo Nunes Cajá.

Eles introduziram a conversa explicando um pouco mais do que é o comitê e abordaram as suas práticas durante o mês, quase que já finalizado, de agosto, rodando todo o estado de Pernambuco em diversas instituições de ensino para fazer com que essa chama revolucionária continue acesa. Além de todos esses aspectos, contaram quais foram os atos para que conquistassem a “Lei da Anistia” e a usassem. Após esses detalhes iniciais, usaram um filme para que todos os estudantes se situassem, seguiram o objetivo de fazer com que cada um se passasse pelas vítimas, que até hoje, do médico e do padre ao professor continuam desaparecidos após o sequestro e a tortura, que eram práticas aceitadas e normalmente usadas na época. O filme também retratou a situação de pessoas que viveram na pele estas torturas, que foram obrigadas a ficar sem comer ou beber nada por dias, que foram obrigadas a ver o sofrimento de outra pessoa na sessão de tortura, sendo torturada com os olhos da mesma forma, relataram sobre toda a monstruosidade citando alguns tipos de objetos de tortura como o Pau de Arara, a Cadeira do Dragão e entre outros. É importante ressaltar que o vídeo foi produzido com a participação de diversas personalidades famosas que tomaram para si a causa de buscar as respostas da morte de tantas pessoas, como Fernanda Montenegro e entre outros artistas.

Em um momento bastante comovente da palestra onde foi contado que o pior momento da tortura, segundo os palestrantes esse momento era a noite quando o barulho da cidade era totalmente ocultado e todos podiam ouvir ao grito do outro, uns aos outros sendo torturados emocionalmente. O corpo que capitaneava a palestra pôde falar um pouco sobre a Família Santa Cruz, onde a mulher fala que houveram diversos tipos de torturas que ela sofreu, onde ela também contava a forma em que os torturadores, cruelmente, a tratava, dizendo que a torturaria, que a faria em pedaços, e por fim, a mataria apenas quando ele se interessasse. Alguns estudantes da época se planejaram para roubar um avião e fugir para Cuba na época da Ditadura Militar visando poder ter o suporte da corte do mesmo país. Após o filme, o auditório da ETEPAM contou com a emoção de diversos estudantes e inclusive da docente de história da instituição. Além do documentário sobre as pessoas que estão desaparecidas até os dias atuais, os estudantes puderam contar com um vídeo do projeto Adote uma Memória de 2016, da turma do Terceiro Ano de Comunicação Visual, que relatava a biografia de Luciano Siqueira, desde a sua infância e adolescência até a sua vida na prisão, sendo arduamente torturado durante o Regime Militar.

Após o intervalo e todos retornarem ao auditório, os estudantes puderam acompanhar mais uma série de conversas com os palestrantes, as falas bastante emocionadas de uma estudante secundarista contra o machismo e a homofobia em homenagem a uma das vítimas do regime deu um gancho a fala de Cintia Sales, emocionada, em contar a história de uma potiguar que tinha como objetivo educar as pessoas da zona rural, foi sequestrada, cruelmente estuprada e depois disso teve os seus órgãos sexuais queimados, enquanto que sua morte era explicada por suicídio. Os participantes da palestra além de prestigiar tamanha história e conhecimento puderam receber o convite de participar de atos que acontecerão em breve a respeito da democracia e entre outros. Edivaldo Cajá pôde encerrar a fase de depoimentos contando um pouco mais sobre a sua história e sobre o que foram as monstruosidades cometidas pelos militares em Pernambuco, desde a história de Jonas que foi um dos primeiros mortos do regime, e se tornou depois mártir do Grêmio do Ginásio Pernambucano, recuperado pelo palestrante e outros colegas, e contou um pouco mais de como era a sua relação com as pessoas da época que não concordavam com o regime. Ele salientou como foi o seu sequestro, onde ele se encontrava em um encontro junto a Dom Helder Câmara e foi sequestrado logo após isso, passou alguns dias onde os militares tentavam tirar informação do mesmo e após isso foi cruelmente espancado e em seguida torturado.

Toda essa lembrança ou memória nos remete a imaginar e a seguir os conselhos da professora de história na sua comparação do regime ao nazismo e ao fascismo. O sofrimento de diversas pessoas que não tiveram direito a sequer um funeral, não foram encontradas nenhuma informação ou algum fato que relate onde elas estão ou o que foi feito, sem falar das que faleceram durante a tortura e as que conseguiram passar por todo esse sofrimento mas viram esses casos não serem respondidos na justiça e os seus torturadores continuarem impunes, todo esse sofrimento não deve ser em vão, pessoas morreram sem ver justiça e a necessidade de futuras gerações continuarem com essa missão e com a vergonha do golpe militar, segundo os palestrantes, é estritamente importante para o país.