Continuamos com o mês em homenagem a história do Brasil: a ditadura militar de 64, medida necessária ou regime autoritário?

16 abr 2018
Comunicação CI
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Hoje, vamos tratar sobre o regime militar que ocorreu no Brasil nos anos de (1964-1985), foram 21 anos de muita repressão política e mudanças no cenário político brasileiro. A ditadura militar é um período da história do Brasil onde gera até hoje muitas divergências de opiniões, pois cada pessoa costuma assumir um lado político com o intuito de defende-lo, esse seria apenas um dos problemas atuais, o cerne da disparidade contemporânea é a discordância das partes opostas, não só isso, mas também a falta de maturidade intelectual para construir um debate saudável entre os mesmos.

Em 31 março de 1964, militares contrários ao governo de João Goulart, que havia sido assumido a presidência de forma inesperada pela renúncia do presidente Jânio Quadros, destituíram o presidente e assumiram o poder obtendo total controle sobre o país. Os que são contrários a ditadura alegam que essa atitude foi uma agressão ao povo brasileiro e um desrespeito ao sistema presidencialista. Em contrapartida temos os que dizem que esse ato radical dos militares, foi devido a uma ameaça comunista que seria implantada no país com o apoio da URSS e da China. Até hoje não sabemos se realmente exista essa ameaça, mas acredita-se que esse medo dos militares se deu devido aos movimentos da: “Coluna Prestes” e a “ Intentona comunista”, ocorrida na década de 30. Além de outras manifestações de cunho socialista que cresciam cada vez mais pelo país.

O primeiro presidente do regime militar foi Humberto de Alencar Castelo Branco (ARENA), ele foi o responsável por tomar as primeiras medidas institucionais, entre eles se destaca: a cassação de mandatos parlamentares, eleições indiretas para governadores, dissolução de todos os partidos políticos, entre outros. Em 1966 os militares fecharam o congresso e fizeram uma nova constituição, além de colocarem em vigor as leis da remessa de lucros e estabilidade dos empregos, o que gerou um aumento de empregos para os brasileiros.

Após Castelo Branco, assumiu ao poder o general Costa e Silva. Esse ficou famoso pelo ato institucional 5 (AI5), medida radical que definitivamente iniciou a ditadura, pois fechou o congresso, aumentou a repressão da polícia para as manifestações contra o governo, cassou pessoas, houve tortura e encarceramento.

Depois desse período conturbado, assumiu o poder o militar Emílio Garrastazu Médici (ARENA), onde foi o responsável pelo famoso milagre econômico ocorrido na ditadura. No seu governo foi criado o Dops (Departamento de ordem política e social) e o Doi-codi, responsáveis pela repressão, prisão, morte e torturas a todos que fossem contra o regime. Na área econômica, o governo colheu os frutos do chamado “milagre econômico”, que representou a fase áurea de desenvolvimento do país, obtido por meio da captação de enormes recursos e de financiamentos externos. O PIB chegou a crescer até 12% ao ano, e milhões de empregos foram gerados.

Com o fim do governo Médici assumiu o poder Ernesto Geisel, o seu governo foi mais tranquilo em comparação aos demais, mas a repressão e a luta popular ainda continuavam, inclusive existiam espiões soviéticos infiltrados no país para causar roubos e atos terroristas. Esse é um dos motivos para a forte violência na ditadura militar, estávamos numa verdadeira guerra civil.

Com o fim do governo Geisel, o Brasil havia sofrido diversas transformações, A repressão havia diminuído; as oposições políticas, o movimento estudantil e os movimentos sociais começaram a se reorganizar. Em 1978, o presidente revogou o AI-5 e restaurou o habeas corpus assumiu o poder então o General João Batista Figueiredo, Figueiredo foi o último general presidente (1979-1985), encerrando o período da ditadura militar, que durou mais de duas décadas. O general acelerou o processo de liberalização política e, em seu governo houve a aprovação da Lei da anistia, que permitia o retorno ao país de vários exilados políticos. Com seu governo o congresso foi aberto e surgiu o multipartidarismo, surgiram aí diversos partidos políticos como: PDT, PT, PMDB, entre outros.

No último ano do governo Figueiredo surgiu o movimento “diretas já”, manifestações populares que pediam a volta do direito do povo de escolher o seu governante. O sucesso foi imediato e no ano de 1985 foi eleito o presidente Tancredo Neves (PMDB), retomando assim o sistema presidencialista brasileiro até os dias de hoje.