Porque nós devemos falar sobre: O retorno da intolerância na atualidade

16 ago 2017
Comunicação CI
1116
0

É notório perceber que nos últimos dias em todos os veículos de informação surgiu toda uma polêmica em relação ao evento que aconteceu na semana passada em Charlottesville, localizada nos Estados Unidos da América. Todas as ações provocadas por um pequeno grupo intolerante norte-americano geraram uma imensa preocupação em todo o mundo fazendo com que diversos países voltassem a sua atenção àquela manifestação. O fato do extremismo ressurgir demonstra que o passado sempre retorna, atos que eram praticados antigamente voltam com uma força que nem um dos especialistas poderia medir ou simular, enquanto que essas pessoas lutam contra a liberdade e ressaltam a importância de fantasmas do passado, e que devem continuar no passado devido toda a sua prática de intolerância e preconceito, nós acompanhamos o desenrolar deste paradoxo, onde a liberdade faz com que esses atos sejam possíveis e não sejam criminalizados, óbvio, o fato de se manifestar contra a liberdade e a favor de antigas ações abusivas nem sempre é considerado um crime, mas, da forma que o movimento estava sendo conduzido, oprimindo todas os grupos que se encontravam na rua, ou até mesmo em sua própria residência sem ter nada a ver com aquilo, é totalmente inaceitável e desnecessário. Tudo isso gerou um caos interno em diversas cidades estadunidenses, os contrários a esse ato se manifestaram também alimentando mais um ciclo de conflitos sob o território norte-americano.

 

Ao aprofundar as feridas históricas não apenas dos Estados Unidos, como também de todo o mundo, a manifestação se transformou em algo com relevância internacional. Quem diria que em pleno século vinte e um, após a superação de todos os preconceitos e atos monstruosos capitaneados pelos países que adotavam algumas ideologias totalitárias, o globo voltaria a se encontrar com essa marca de ódio. O movimento foi feito por pessoas que se dizem “neonazistas”, como se essa ideologia de puro ódio pudesse se renovar, o grupo Ku Klux Klan, que tem diversas gerações de rancor e prega preconceito contra alguns setores da sociedade praticando a homofobia, o racismo e a xenofobia. Com esses dois grupos, os militantes que defendem a supremacia branca também se encontravam no movimento. Durante toda a caminhada foram realizados diversos tipos de preconceito contra os grupos já mencionados anteriormente no texto, pessoas que se encontravam em sua própria casa foram agredidas verbalmente por essas pessoas.

 

O motivo de todos esses protestos foi a cidade de Charlottesville, com cerca de 50 mil habitantes, decidir retirar a estátua do general Robert E. Lee de um dos parques públicos. O general Lee comandou as forças da Virgínia na Guerra Civil Americana (1861-1865), e chegou a general-em-chefe confederado. A Virgínia integrava os Estados Confederados durante esse conflito. É importante ressaltar que estes estados desejavam a independência para impedir que a escravidão fosse abolida nos EUA. Após a derrota deste bloco, o general foi tomado como alguns representantes de extrema-direita do país como um herói, por isso toda a gama de protestos motivados pelo desejo de retirar a sua estátua, esses grupos consideraram a proposta como uma afronta. Esse ato de retirar a imagem de militares confederados é adotado por diversos estados da nação norte-americana e divide a população a respeito da decisão, alguns possuem agrado e outros, como nós pudemos ter percebido nesses movimentos, fúria.

 

Diversas personalidades se manifestaram e relação ao evento, o Governador do estado de Virgínia declarou estado de emergência e pediu ajuda para responder a violência. A maioria dos países respondeu com negação para com as práticas desse grupo. O Presidente Donald Trump declarou que devemos estar todos unidos para condenar tudo o que representa o ódio e afirmou que não há espaço para esse tipo de violência nos EUA. Os manifestantes, brancos, de capacete, com escudos carregando a bandeira da confederação e com suásticas desenhadas em cartazes, além de realizar o ato de saudação do nazismo, o “Sig Heil”. Os manifestantes do movimento “Unir a Direita” gritavam palavras de ordem como “Vidas Brancas Importam”, sem ressaltar as frases de violência contra a população gay, judia, negra e imigrante. O ato de levar as tochas em reverência ao Ku Klux Klan e toda a sua história de protestos, encapuzados e com tochas. É de suma importância relembrar que foram setores desse movimento que contribuíram para a eleição de Donald Trump em 2016, portanto, o seu posicionamento gerou diversas críticas e até protestos no portão da Trump Tower por simpatizantes desse grupo.

 

materia nazismo !.jpg

 

Inegavelmente, devemos esquecer da história e toda a lição que foi nos dada. O nazismo se resume a uma ideologia que considera uma raça superior às outras. Na Alemanha, em meados de 1940, as pessoas pregavam que a raça ariana era superior a todas as outras, esse pensamento gerou diversas dúvidas e fez com que as pessoas achassem, que, por serem superiores, poderiam ir para a guerra e vence-la facilmente. Esse tipo de pensamento transformou a sociedade alemã da época, as pessoas julgavam os seus posicionamentos, os seus feitos como algo maior do que todo o mundo existente.

 

Toda essa mentalidade nazista fez com que as pessoas não se preocupassem com as outras que residiam na sua própria civilização, por isso, negros, mestiços, judeus e outros que faziam parte da minoria alemã, e para que vocês possam imaginar, se a abordagem para as pessoas da própria Alemanha era assim, prendendo em campos de concentração, torturando e escravizando desde as crianças até os mais velhos, que quando já se encontravam muito desgastados por todo o árduo trabalho, eram mortos na temida câmara de gás. Durante todo o conflito a sociedade continuou adotando esse discurso de supremacia, isso engajava e fazia com que os soldados alemães cultivassem a vontade de morrer em guerra para a vitória do seu país, eles endeusavam essa ideia e a sua personalidade, Adolf Hitler, pessoas seguiam essa ideia e muitas vezes preferiam morrer a se ter os segredos alemães passados para alguns dos inimigos na guerra.

 

O discurso de Nelson Mandela se contrapondo ao Apartheid da África do Sul – que continuava com o ciclo de racismo no mesmo país criando uma divisão que se perpetuou por anos onde brancos possuíam banheiros para pessoas brancas, bairros existiam para pessoas negras e o país continuava a se dividir em prol da raça – dizia, “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”.

 

Essa palavra de Mandela reflete que essas ideologias continuam pela história por resistência de algumas pessoas, por mais que sejam ofensivas e totalmente desnecessárias ao momento elas continuam se perpetuando graças a algumas pessoas que viveram e morreram por esse ódio, a inspiração que Nelson nos deixou faz com que nós possamos refletir sobre essas pessoas, todos que possuem um ódio tão profundo cultivado por anos e apreciado por suas famílias não devem ser esquecidos ou apenas colocados de lado, muitas vezes, por apenas maquiar esses erros eles tendem a retornar ainda mais fortes e esse retorno de tanto extremismo apenas reflete o erro que foi tido pela educação de cada nação. Se há pessoal atualmente que possam proclamar seu discurso de ódio é porque muitas outras que estão sendo reprimidas lutaram por essa liberdade, no momento em que essas pessoas já possuem uma certeza e não mais aceitam qualquer outra opinião que venha desconstruir a sua ideia, ela se retrai e não aceita.

 

O discurso de Mandela pode ser traduzido na imagem de todas as comunidades que sofreram os ataques desse pequeno grupo, talvez algumas pessoas já estejam tomadas e enraizadas neste ódio, não podemos desistir destes, mas também devemos fazer a diferença, ensinando para as nossas próximas gerações que todos nós somos seres humanos, possuímos cor de pele diferente, religião, opção sexual e entre outras diversas coisas, mas isso não dá motivo para que um odeie a outra por isso. O nosso erro deve ser admitido e a vontade de usá-lo para construir um futuro diferente pode ser o golpe de minerva para a formação de uma geração linda que se ame e se respeite, façamos a diferença e construamos o mundo que nós tanto desejamos.